Sessão especial 50 anos O Bravo Guerreiro

 

Em 2018 completam-se 50 anos da realização do filme O Bravo Guerreiro e 80 anos de nascimento de seu diretor, Gustavo Dahl (1938-2011). Para celebrar esses marcos, no dia 20 de outubro, a Cinemateca Brasileira e a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo realizarão uma sessão especial do filme.

Após a exibição, haverá um debate com a presença de Ana Maria Magalhães (atriz e diretora), Ismail Xavier (Professor Emérito da ECA-USP), Arthur Autran (professor da UFSCAR) e mediação de Ana Paula Sousa (coordenadora do Fórum Mostra).

Primeiro longa-metragem de Gustavo Dahl, O Bravo Guerreiro é um filme político centrado nos dilemas de Miguel Horta (Paulo Cesar Pereio), um intelectual que após ingressar no poder como deputado do partido de situação, confiante nas possibilidades de transformação social, vai aos poucos se dando conta dos entraves, conchavos e traições que definem o jogo político. As decepções com a vida pública e também os dilemas pessoais levam o protagonista a uma profunda angústia, e o personagem faz da palavra sua arma política. A sensibilidade artística de Dahl, alinhada ao olhar arguto do fotógrafo Affonso Beato, faz de O Bravo Guerreiro um filme para ser visto e ouvido. Nas palavras de Glauber Rocha tratava-se do “primeiro ato de uma tragédia onde o povo tem medo das palavras do herói”.

Realizado em um mês, foi exibido e premiado no IV Festival de Brasília de Cinema Brasileiro em 1968. Apesar dos elogios à época de sua estreia, a obra não obteve sucesso de público. Sobre essa incompreensão em torno do filme, o próprio Gustavo Dahl, décadas mais tarde, chegaria a uma síntese: “Derrotista para os comunistas tradicionais, reformista para a esquerda revolucionária, incompreensível para o público, inofensivo para o governo, o filme só foi entendido e apreciado por aqueles que estavam concretamente envolvidos no processo de criação cinematográfica e pelos intelectuais mais sofisticados.”

Ainda em vida, Dahl confiou à Cinemateca Brasileira a preservação de seu acervo fílmico e documental. Promover a recuperação e promoção desse arquivo é compromisso da instituição. Portanto, o presente evento é apenas uma das primeiras ações a serem realizadas, até o final de 2018, em torno da vida e da obra de Gustavo Dahl, que além de intelectual e militante do audiovisual brasileiro, foi trabalhador da Cinemateca, no final dos anos 1950, e também presidente do Conselho da instituição, entre os anos de 2007 e 2011.